O encontro reforçou o compromisso da FETIESC em promover espaços de reflexão crítica e formação política, fortalecendo a atuação sindical frente às transformações tecnológicas que já impactam o presente e moldam o futuro do mundo do trabalho.
A importância e a evolução disruptiva da comunicação, especialmente diante do avanço acelerado da Inteligência Artificial (IA), foram tema do Encontro sobre Comunicação e Liberdade de Expressão, promovido pela Federação dos Trabalhadores nas Indústrias de Santa Catarina (FETIESC), na tarde desta quarta-feira (25), em Itapema. O evento reuniu dirigentes sindicais para refletir sobre os impactos das novas tecnologias no mundo do trabalho, na sociedade e na vida humana.
O palestrante convidado foi o jornalista e gerente de mídias digitais Joel Minusculi, que iniciou sua exposição de forma provocativa, apresentando um cenário em que o uso da IA sem consciência crítica pode gerar danos profundos em diferentes esferas da vida humana. A partir dessa perspectiva, Minusculi conduziu a reflexão sobre a implementação dessas tecnologias não apenas para tornar o mundo mais eficiente, mas alertando para o risco de se construir um ambiente menos digno.
Segundo o palestrante, atualmente 87% dos brasileiros já incorporaram o uso de ferramentas de Inteligência Artificial em suas rotinas. Apesar disso, ele chama a atenção para o encantamento excessivo do ser humano com essas tecnologias, o que exige uma reflexão profunda sobre até que ponto elas, de fato, contribuem para a humanidade contemporânea. Em 2025, por exemplo, 31% do uso da IA esteve relacionado à busca por conselhos pessoais e profissionais, evidenciando uma substituição de relações humanas por interações com máquinas.
“É digno tratar máquinas como pessoas e pessoas como máquinas? O uso da IA intensifica o ritmo de trabalho e pode levar ao burnout, pois, ao economizar tempo, gera mais tarefas e, consequentemente, mais trabalho”, questionou Minusculi.
Os impactos da Inteligência Artificial nas carreiras profissionais também estiveram no centro do debate. De acordo com o jornalista, a inteligência humana tem sido utilizada para treinar sistemas de IA que, posteriormente, acabam substituindo os próprios trabalhadores. Ele alertou ainda para estudos que apontam que a IA pode substituir o equivalente a 300 milhões de empregos em todo o mundo, restando aos humanos, em muitos casos, apenas as atividades mais pesadas e precarizadas.
Diante desse cenário preocupante, Minusculi apresentou caminhos possíveis para evitar que o trabalho humano seja totalmente substituído pelas máquinas. Entre eles, destacou a busca permanente por novos conhecimentos e, sobretudo, a consciência de que as decisões devem continuar sendo tomadas por pessoas, o que exige responsabilidade ética, moral e compromisso com a dignidade humana.
Outro ponto fundamental defendido pelo palestrante foi a necessidade urgente de regulamentação da Inteligência Artificial. Para ele, lutar por regras claras significa exigir que empresas adotem mecanismos de proteção e segurança em seus sistemas.
“A regulamentação garante que a IA não seja usada para medir o desempenho do trabalhador de forma injusta ou para tomar decisões automáticas de demissão sem qualquer supervisão humana”, afirmou.
Para o presidente da FETIESC, Idemar Antonio Martini, o debate é fundamental para o movimento sindical neste momento histórico.
“Discutir comunicação, tecnologia e Inteligência Artificial é discutir o futuro do trabalho e da classe trabalhadora. O sindicato precisa estar preparado para enfrentar esses desafios, defender direitos e garantir que a inovação caminhe junto com a dignidade humana”, destacou Martini.






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