Crystiane Peres apresentou uma análise detalhada das negociações coletivas dos últimos anos e as perspectivas para 2026.
A jornada de Comunicação e Negociação Coletiva, promovida pela Federação dos Trabalhadores nas Indústrias de Santa Catarina (FETIESC), iniciou nesta quinta-feira (26), em Itapema, reunindo dezenas de dirigentes sindicais e representantes de diversas categorias da indústria catarinense. Pela manhã o evento contou com a participação da cientista social e supervisora técnica do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sociais (DIEESE-SC), Crystiane Peres, que apresentou uma análise detalhada das negociações coletivas dos últimos anos e as perspectivas para 2026.
Durante sua exposição, Crystiane destacou os principais fatores que impactam diretamente as negociações coletivas, como o nível de organização sindical, o cenário político e a capacidade de mobilização dos trabalhadores. Segundo ela, as pesquisas do DIEESE demonstram que governos com orientação mais democrática e progressista tendem a criar um ambiente mais favorável a negociações coletivas justas, uma vez que há maior equilíbrio na correlação de forças entre capital e trabalho.
“Não foi por acaso que a reforma trabalhista de 2017 desestruturou os sindicatos laborais. Ela teve como objetivo fortalecer o lado patronal nas negociações e representou um golpe direto contra a organização dos trabalhadores”, denunciou.
Impacto dos governos nas negociações salariais
A cientista social apresentou uma retrospectiva histórica do desempenho médio das negociações de reajustes salariais, desde o governo de Fernando Henrique Cardoso (1996–2002) até o atual governo Lula (2022–2026). A análise evidenciou como diferentes orientações ideológicas no poder impactam diretamente a vida da classe trabalhadora.
No período de FHC, quando não havia política de valorização do salário mínimo, cerca de 40% das negociações foram fechadas abaixo do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Em contraste, nos governos Lula e Dilma Rousseff, esse percentual não ultrapassou 7%.
Já no governo de Jair Bolsonaro, os prejuízos foram mais expressivos: apenas 32% das negociações realizadas nos quatro anos de governo garantiram reajustes acima do INPC. “Definitivamente, no governo Bolsonaro a classe trabalhadora acumulou perdas salariais sucessivas, cujos reflexos ainda são sentidos hoje. Com o retorno de Lula à Presidência, retomamos patamares mais positivos, chegando a 83% das negociações com ganho real”, afirmou Crystiane.
Perspectivas para 2026
Ao tratar das perspectivas para as negociações coletivas em 2026, a representante do DIEESE apontou elementos da conjuntura econômica, como a desaceleração do crescimento econômico, a estabilidade cambial e a manutenção do saldo da balança comercial. Destacou ainda uma inflação mais estável ao longo do ano e os impactos positivos das políticas públicas, especialmente nos investimentos públicos e privados.
Crystiane também alertou para a tendência de desaceleração na geração de empregos e ressaltou que temas como a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1 devem ganhar centralidade nas pautas de negociação.
Outro ponto de destaque foi o contexto político de Santa Catarina. Segundo a análise apresentada, o conservadorismo político presente no estado e nas relações com o setor patronal faz com que Santa Catarina seja, atualmente, o estado com maior dificuldade para incluir cláusulas sociais nas negociações coletivas — especialmente aquelas que beneficiam mulheres e trabalhadores negros.






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