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Juventude trabalhadora debate desafios do presente e caminhos para o futuro em oficina promovida pela FETIESC e NCST-SC

Encontro reuniu jovens de diferentes regiões de Santa Catarina para discutir o mundo do trabalho, o custo de vida, a precarização dos direitos e a importância da participação política e sindical

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Na manhã do último sábado, 12 de setembro, a Federação dos Trabalhadores nas Indústrias do Estado de Santa Catarina (FETIESC), em parceria com a Nova Central Sindical dos Trabalhadores de Santa Catarina (NCST-SC), realizou uma oficina voltada à juventude trabalhadora. O encontro reuniu jovens de diferentes regiões do Estado em um espaço de diálogo, escuta e reflexão sobre os problemas, desafios e perspectivas das novas gerações.

Sob a coordenação do professor Sabino Bussanello, da Escola de Formação Sindical da FETIESC, a atividade proporcionou uma manhã de troca de experiências, angústias e sonhos. Mais do que apresentar conceitos, a proposta foi ouvir a juventude a partir de suas próprias vivências e estimular uma reflexão coletiva sobre o presente e o futuro do trabalho.

Custo de vida, moradia e falta de oportunidades

Entre os principais temas levantados pelos participantes esteve o alto custo de vida, apontado como um dos fatores que mais afetam a juventude contemporânea.

“Enquanto o custo de vida aumenta, o salário não chega nem perto. Achar lugar para morar, alugar, é muito difícil hoje em dia”, desabafou um dos jovens.

A dificuldade de conquistar autonomia financeira, sair da casa dos pais e ter acesso à moradia apareceu como uma preocupação diretamente relacionada à realidade de quem está ingressando no mercado de trabalho.

Outro participante destacou o excesso de informação nas redes sociais, observando que a juventude recebe diariamente uma quantidade enorme de conteúdos, mas nem sempre dispõe de condições para compreender, analisar e contextualizar aquilo que chega à palma da mão.

A crítica também alcançou a qualidade do conteúdo consumido:

“Muita informação e pouco conteúdo nas redes sociais.”

Para os jovens, o desafio não está apenas em ter acesso à informação, mas em desenvolver capacidade crítica para distinguir fatos, opiniões, manipulações e interesses que circulam no ambiente digital.

Ingresso na indústria e a exigência de experiência

As condições de ingresso e permanência no mercado de trabalho também foram debatidas. Um dos participantes apontou como grande desafio conseguir entrar na indústria e adaptar-se a uma rotina que pode ser marcada por longas jornadas e restrições à autonomia.

“Tem que passar na indústria oito horas por dia, trancada num galpão, sem poder sair e sem poder olhar para o celular”, relatou, ao descrever a percepção de muitos jovens sobre o ambiente industrial.

Outro participante chamou atenção para a falta de oportunidades de aprendizagem. Segundo ela, muitas empresas exigem experiência justamente de quem ainda está buscando a primeira oportunidade.

A contradição foi sintetizada na dificuldade de encontrar portas abertas para quem precisa aprender:

“As empresas só querem gente com experiência.”

As falas revelaram uma juventude que deseja trabalhar, aprender e construir uma trajetória profissional, mas que encontra obstáculos como salários insuficientes, exigências incompatíveis com o início da carreira e ambientes de trabalho pouco acolhedores.

Precarização dos direitos e desalento

Para o secretário da Juventude da NCST-SC, Pedro Henrique de Oliveira, os grandes desafios estão relacionados à precarização dos direitos e às dificuldades enfrentadas no cotidiano.

Segundo ele, o encolhimento dos salários, a perda de direitos e a ausência de perspectivas de futuro produzem desalento entre os trabalhadores, especialmente entre os mais jovens.

“Temos que sair daqui com o compromisso de pesquisar os candidatos que têm compromisso com a classe trabalhadora, para lá na frente não votarem contra a gente. Precisamos da maioria no Congresso para tentar reverter os malefícios da Reforma Trabalhista”, destacou.

A fala reforçou a necessidade de aproximar a juventude do debate político, mostrando que as decisões tomadas no Congresso Nacional têm impacto direto sobre as condições de trabalho, a renda e as possibilidades de futuro.

Uma geração conectada, imediatista e consumista

Durante a oficina, o professor Sabino Bussanello também propôs uma reflexão sobre as características das novas gerações. Para ele, a juventude atual é mais hedonista, egocêntrica e consumista do que as gerações precedentes, vivendo sob uma lógica marcada pela busca do imediato.

A observação serviu como ponto de partida para discutir os efeitos da sociedade de consumo, da cultura digital e da velocidade das informações sobre a formação de valores, a convivência coletiva e a participação social.

O desafio, nesse contexto, é transformar a conectividade em consciência crítica e participação, evitando que o individualismo e o imediatismo enfraqueçam a capacidade de organização e de luta por direitos.

Conscientização política e responsabilidade coletiva

O tesoureiro da FETIESC, Landivo Fischer, destacou a importância do trabalho de conscientização política, especialmente diante das eleições de outubro.

“Nosso futuro não depende só de eleger nossos representantes. Não podemos pedir um retrocesso ao passado. É preciso um trabalho de conscientização na família e entre amigos”, afirmou.

Para Landivo, a construção de um futuro melhor exige participação e diálogo permanente, não apenas durante os períodos eleitorais. A conscientização precisa estar presente nos espaços de convivência, nas famílias, entre amigos e nos locais de trabalho.

Fim da escala 6×1 e medidas em favor dos trabalhadores

O secretário da Juventude da FETIESC, Marco Antônio de Souza, lembrou que o debate sobre o fim da escala 6×1 representa uma das principais pautas da classe trabalhadora. Segundo ele, enquanto setores empresariais afirmam que a mudança poderia provocar prejuízos à economia, a proposta é defendida como uma forma de garantir mais qualidade de vida, descanso e tempo para a convivência familiar e social.

Marco também destacou a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, apresentada, pelo Governo Lula, como uma medida de impacto positivo para os trabalhadores.

As discussões reforçaram que temas como jornada de trabalho, renda e tributação não são abstratos: interferem diretamente na vida cotidiana da juventude, em suas possibilidades de estudo, lazer, moradia e planejamento do futuro.

“Nossa vida é política”

O presidente da NCST-SC, Izaias Otaviano, ressaltou que o debate promovido pela oficina está relacionado à construção de projetos que beneficiem a coletividade e a sociedade.

“Estamos falando de projetos para ser bom para a coletividade e para a sociedade. Nunca tivemos um governo de esquerda, porque estamos reféns de um Congresso elitista, sem compromisso com a classe trabalhadora.”

Izaias defendeu a necessidade de ampliar o debate político e lembrou que a participação social não pode ser tratada como algo distante da vida cotidiana.

“Queremos fazer esse debate porque nossa vida é política, e quem não gosta da política é governado por quem faz a política.”

Ao falar sobre a juventude, destacou ainda a importância do engajamento:

“Juventude é o futuro. Tem que se manter engajada na luta. Estamos passando por um momento de transformação!”

Liberdade de pensamento e fortalecimento dos sindicatos

O dirigente Ednaldo Pedro Antonio destacou que a FETIESC defende a liberdade de pensamento e a capacidade de cada pessoa formar suas próprias convicções.

Para ele, o momento exige diálogo e conscientização para evitar retrocessos. Também ressaltou a importância da democracia e da participação política, defendendo a necessidade de fortalecer um campo progressista comprometido com os direitos sociais e trabalhistas.

Ednaldo chamou atenção para o poder das redes sociais e das grandes empresas de tecnologia, que, segundo ele, podem influenciar a percepção da realidade e contribuir para o enfraquecimento da organização coletiva.

“Somos reféns dessas ferramentas, das redes sociais e das big techs, que são contrárias à classe trabalhadora.”

Nesse cenário, defendeu a retomada da confiança nos sindicatos e a valorização das conquistas sociais.

“Precisamos de trabalhadores que voltem a acreditar nos sindicatos.”

Ednaldo também destacou a importância de reconhecer os avanços obtidos pelos trabalhadores e de garantir condições políticas para a continuidade de medidas em favor da classe trabalhadora, por meio da eleição de representantes comprometidos com essa agenda.

Imprensa Fetiesc

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