Documento aprovado por lideranças de cinco estados reúne diretrizes para inovação sindical, participação política, comunicação digital e defesa dos direitos da classe trabalhadora.
Após três dias de intensos debates, palestras, troca de experiências e construção coletiva, o 18º Fórum Sindical Sul (FSS-2026) foi encerrado na última sexta-feira (29), em Itapema (SC), com a aprovação do “Protocolo de Itapema – Manifesto para a Era Digital”. O evento reuniu dirigentes sindicais e trabalhadores dos estados de Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro, contando com o apoio da Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias (CNTI).
Com o tema “Inovação Sindical: criar, transformar e impactar a vida da classe trabalhadora”, o Fórum consolidou-se mais uma vez como um dos principais espaços de formação, reflexão e articulação do movimento sindical brasileiro, debatendo os desafios impostos pelas transformações tecnológicas, pela comunicação digital, pela conjuntura política e pelas mudanças no mundo do trabalho.
Durante o encerramento, lideranças sindicais destacaram a importância do encontro para o fortalecimento da organização dos trabalhadores e para a construção de estratégias capazes de enfrentar os desafios atuais.
Para a presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Confecção, Bordados e Preparação e Acabamento de Roupas de Cianorte e Região, Elizabete Mattos, o Fórum representou um momento de grande aprendizado e responsabilidade.
“Foi um momento muito especial para todos nós e meu desejo é que ele dê frutos. É importante participar, mas também multiplicar as informações que recebemos aqui. Precisamos levar esse conhecimento para outras pessoas. O país precisa de gente com sede de aprender. Das nossas mentes e das nossas ações devemos uma resposta à classe trabalhadora que representamos. As famílias desses trabalhadores dependem disso. Precisamos ter coragem e união para enfrentar este momento. Vamos superar essa avalanche e sair vencedores”, afirmou.
O presidente da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias de Fiação e Tecelagem do Rio Grande do Sul, Renato João Dall Agnol, ressaltou o caráter formativo do encontro e a necessidade de preparar novas lideranças.
“Atingimos nosso objetivo. Aprendi muito com os palestrantes e com as manifestações de vocês. Hoje temos dirigentes sindicais e pessoas da base participando para que possam, futuramente, dar continuidade ao nosso trabalho. Tenho certeza de que serão multiplicadores desse conhecimento. É um esforço que fazemos em nome da classe trabalhadora. Além do aprendizado, este Fórum vai deixar saudade. Tudo o que foi debatido aqui contribui para construir uma nova era sindical e resgatar a confiança dos trabalhadores”, destacou.
A presidente da Federação dos Trabalhadores na Indústria do Estado de Mato Grosso do Sul, Cleonice Bortolli, enfatizou a riqueza das trocas realizadas durante os três dias de atividades.
“Aprendemos muito e tivemos uma troca de experiências extremamente importante. Sairemos daqui com uma bagagem ainda maior, que será fundamental para mantermos a luta e a resistência do movimento sindical. Espero todos vocês no Mato Grosso do Sul no próximo ano”, convidou.
Já o presidente da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias do Couro e Calçado do Rio Grande do Sul, João Pires, destacou o sucesso da organização do evento.
“Foi um grande sucesso, fruto do trabalho incansável da equipe organizadora. Aqui nos sentimos em casa. Espero que todos tenham aprendido bastante e, principalmente, tenham coragem de colocar esse aprendizado em prática”, afirmou.
Representando a Federação dos Trabalhadores nas Indústrias do Estado de Santa Catarina (FETIESC), o presidente Idemar Antonio Martini ressaltou o orgulho de manter uma atividade de formação sindical com a dimensão do Fórum Sindical Sul.
“Esse é o propósito que nos move desde o início. Somos o único movimento sindical que realiza atividades desta dimensão de forma contínua. Com o esforço de cada um, seguimos persistindo. Isso é motivo de orgulho e demonstra a seriedade desse trabalho. Precisamos continuar investindo na formação e organização da nossa base, fortalecendo a participação política e a defesa dos direitos da classe trabalhadora”, afirmou.
Protocolo de Itapema aponta caminhos para o sindicalismo do futuro
O ponto alto do encerramento foi a aprovação, por unanimidade, do “Protocolo de Itapema – Manifesto para a Era Digital”, documento que sintetiza os debates realizados durante o Fórum e estabelece diretrizes para a atuação sindical nos próximos anos.
Entre os principais eixos aprovados está a ampliação da participação política dos dirigentes sindicais, incluindo o incentivo à disputa eleitoral em 2026, o debate com as bases sobre candidaturas comprometidas com os interesses da classe trabalhadora e a inserção do movimento sindical em espaços de participação social nos municípios e estados.
O documento também destaca a necessidade de desenvolver novas fontes de receita para os sindicatos, investir em comunicação estratégica e utilizar as ferramentas tecnológicas e a inteligência artificial para aprimorar a gestão sindical, a análise de convenções coletivas, a comparação de cláusulas trabalhistas, a revisão de documentos jurídicos e o acompanhamento das mudanças legislativas.
Outro tema central foi o fortalecimento do sindicato como agente político da sociedade. O manifesto reafirma a importância da mobilização permanente para recuperar direitos retirados pelas reformas Trabalhista e Previdenciária, conquistar avanços econômicos, reduzir a jornada de trabalho, combater a violência contra as mulheres, garantir o custeio sindical e preservar a unidade do movimento sindical.
Inspirado nas reflexões apresentadas pelo senador Paulo Paim durante o evento, o documento ressalta que o sindicalismo sempre esteve ao lado da democracia, da igualdade e da justiça social, e que os desafios futuros exigirão organização, formação permanente e capacidade de diálogo com as novas gerações.
Comunicação digital e disputa de narrativas
As transformações na comunicação também tiveram papel de destaque nos debates do Fórum. Os participantes analisaram a evolução das formas de comunicação sindical, desde os boletins impressos distribuídos nas portas das fábricas até o atual cenário dominado pelas redes sociais e plataformas digitais.
As discussões apontaram que a disputa por atenção nas redes tornou-se uma disputa por consciência política. Nesse contexto, dirigentes sindicais precisam atuar como formadores de opinião junto à classe trabalhadora, utilizando estratégias criativas para dialogar com os trabalhadores e fortalecer a consciência coletiva.
Outro tema amplamente debatido foi o combate à desinformação e às fake news. Os participantes destacaram a importância de compreender o funcionamento dos algoritmos das plataformas digitais e desenvolver estratégias capazes de disputar narrativas, fortalecer o jornalismo profissional e ampliar a circulação de conteúdos comprometidos com fatos, ciência e evidências.
Defesa da democracia e fortalecimento da representação dos trabalhadores
O processo eleitoral de 2026 também esteve presente nos debates do Fórum. O documento aprovado pelos participantes reforça a importância da participação política da classe trabalhadora e da construção de candidaturas comprometidas com a defesa dos direitos sociais, da democracia, da valorização do trabalho e do fortalecimento do movimento sindical.
Ao final do encontro, ficou o sentimento de que os desafios são grandes, mas que a unidade, a formação permanente e a capacidade de inovação continuarão sendo elementos fundamentais para que o movimento sindical siga transformando a realidade dos trabalhadores e trabalhadoras brasileiros.
Com o encerramento da 18ª edição, o Fórum Sindical Sul reafirma sua condição de espaço estratégico para a construção de propostas, fortalecimento das lideranças e preparação do movimento sindical para os desafios da era digital.






Adicionar comentário