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Paulo Paim defende redução da jornada, fortalecimento sindical e democracia na abertura do Fórum Sindical Sul 2026 

O Senador foi o grande homenageado da cerimônia de abertura da 18ª edição do evento realizado em Itapema 

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O senador gaúcho Paulo Paim foi o grande homenageado da cerimônia de abertura da 18ª edição do Fórum Sindical Sul (FSS-2026), realizada nesta quarta-feira, dia 27 de maio, em Itapema (SC). Diante de centenas de dirigentes sindicais e trabalhadores de cinco estados brasileiros, o parlamentar fez uma defesa contundente da democracia, do fortalecimento do movimento sindical, da redução da jornada de trabalho e da organização política da classe trabalhadora.

Com quase quatro décadas de atuação no Congresso Nacional, Paim afirmou que o movimento sindical precisa continuar ocupando os espaços políticos para garantir direitos e enfrentar os desafios impostos ao mundo do trabalho.

“No meu tempo de sindicalista era uma novela mostrar para alguns dirigentes que tinha que fazer política. Hoje chego aqui e vejo aquela bela frase em defesa da democracia, do Governo Lula, da redução da jornada de trabalho e do fim da escala 6×1; em defesa da unicidade sindical, do custeio confederativo, da igualdade e do fim da violência contra as mulheres. Deixem elas viver!”, declarou.

Em um discurso marcado por reflexões políticas, sociais e emocionais, o senador destacou que viver em sociedade é, necessariamente, um ato político.

“Homens e mulheres que dedicam suas vidas à defesa da classe trabalhadora vivem em comunidade, vivem uns para os outros. Viver é um ato político e social. Tudo passa pela política”, afirmou.

Paim também falou sobre o encerramento de sua trajetória parlamentar após 40 anos no Congresso Nacional, ressaltando a importância da renovação política.

“Aprendi que homem público deve saber o momento de entrar, mas também precisa ter a grandeza de reconhecer o momento de sair. Saio e abro a porta para os mais jovens. Em breve deixo a vida parlamentar, mas não a política, porque é por meio dela que podemos melhorar, de forma concreta, a vida do nosso povo”, destacou.

Ao recordar sua trajetória legislativa, o senador citou projetos históricos de sua autoria aprovados ao longo das últimas décadas, entre eles o Estatuto do Idoso, o Estatuto da Pessoa com Deficiência, o Estatuto da Igualdade Racial e políticas públicas voltadas às pessoas com Alzheimer.

“Meu segredo sempre foi a escuta. Só conseguimos aprovar tantas políticas públicas porque havia diálogo e compromisso social”, afirmou.

Paim também destacou avanços conquistados em parceria com o movimento sindical e governos comprometidos com pautas sociais, como a política de valorização do salário mínimo.

“Implantamos a política de valorização do salário mínimo junto com o movimento sindical. Antes era cerca de 60 dólares, hoje estamos próximos dos 350 dólares”, ressaltou.

Durante sua fala, o senador lembrou ainda da inclusão de Zumbi dos Palmares no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria e da criminalização do preconceito racial no Brasil.

“O movimento sindical sempre esteve ao lado da democracia, da igualdade e da justiça social”, pontuou.

Ao analisar o cenário político nacional, Paulo Paim classificou o atual momento como “difícil e conturbado”, marcado por tensões sociais, econômicas e políticas, e alertou para a necessidade de mobilização permanente da classe trabalhadora.

“Os desafios serão enormes e exigirão mobilização permanente do movimento sindical e da classe trabalhadora”, afirmou.

Redução da jornada e fim da escala 6×1

Um dos principais temas abordados pelo senador foi a luta histórica pela redução da jornada de trabalho no Brasil. Paim lembrou que o debate atravessa gerações e destacou que o movimento sindical segue pressionando pela aprovação das 40 horas semanais sem redução salarial.

“A redução da jornada vem desde os tempos de Getúlio Vargas. Ele criou as 48 horas. Nós conquistamos as 44 horas na Constituinte e queríamos as 40 horas naquela época, mas perdemos. Passaram-se 40 anos e agora vamos conquistar as 40 horas”, afirmou.

O senador explicou que possui um projeto apresentado em 2015 já pronto para votação no Senado, mas destacou que a proposta em tramitação na Câmara Federal, liderada pelos deputados Reginaldo Lopes e Erika Hilton, pode avançar antes devido às regras regimentais.

“Projeto bom é projeto aprovado. Não quero saber quem é o autor”, disse.

Paim também elogiou o movimento VAT (Vida Além do Trabalho), liderado por Rick Azevedo, que ganhou força nacional no debate sobre o fim da escala 6×1.

Segundo o parlamentar, a redução da jornada de trabalho poderá gerar milhões de empregos e fortalecer a economia brasileira.

“A redução da jornada pode gerar cerca de 4,5 milhões de novos empregos diretamente, aumentar a massa salarial e acompanhar uma tendência mundial. Desde 1935 a OIT recomenda as 40 horas semanais e muitos países já discutem jornadas de 36 horas. O Brasil está atrasado”, destacou.

Ele citou ainda experiências internacionais, como a implementada por Henry Ford nos Estados Unidos há mais de um século, reduzindo a jornada sem redução salarial.

“A redução da jornada diminui a rotatividade, fortalece setores como lazer e entretenimento e ajuda toda a economia”, completou.

Defesa do movimento sindical

Em outro momento de sua palestra, Paulo Paim destacou o papel histórico do sindicalismo brasileiro na criação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), na redemocratização do país e na defesa dos direitos sociais.

“O movimento sindical foi fundamental na criação da CLT, na redemocratização deste país e na defesa da democracia”, afirmou.

O senador alertou ainda para os projetos em tramitação no Congresso Nacional que, segundo ele, têm como objetivo enfraquecer os sindicatos e flexibilizar direitos trabalhistas.

“Há inúmeros projetos com objetivo claro de enfraquecer o movimento sindical. Querem ampliar acordos individuais em detrimento dos acordos coletivos, inviabilizar o financiamento das entidades sindicais e alterar profundamente a CLT”, alertou.

Paim criticou duramente o avanço da pejotização das relações de trabalho.

“Pejotização é um crime. Estão pejotizando até pedreiro. Os números são alarmantes e isso pode quebrar a Previdência”, afirmou.

Ao final da palestra, o senador reforçou a necessidade de diálogo com as novas gerações e de reinvenção do movimento sindical sem abrir mão da defesa da classe trabalhadora.

“É necessário dialogar com os jovens e reinventar o sindicalismo sem perder sua essência. O movimento sindical é um movimento de resistência e de conquista”, concluiu.

Ovacionado pelos participantes do Fórum Sindical Sul, Paulo Paim encerrou sua participação emocionado.

“Volto para casa, mas continuo onde o movimento sindical estiver”, declarou.

Imprensa Fetiesc

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