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FETIESC promove 1º Seminário sobre Sustentabilidade e Economia Solidária e amplia debate sobre meio ambiente do trabalho

O pioneirismo da federação colocou em debate o meio ambiente do trabalho em tempos de crise ambiental

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Mantendo-se na vanguarda do movimento sindical catarinense, a Federação dos Trabalhadores nas Indústrias do Estado de Santa Catarina (FETIESC) realizou, na manhã desta quarta-feira, dia 24 de junho, o seu 1º Seminário sobre Sustentabilidade e Economia Solidária.

O encontro reuniu dirigentes sindicais de diversas regiões do estado para aprofundar o debate sobre os desafios ambientais da atualidade e seus impactos na vida da classe trabalhadora, colocando em pauta a necessidade de compreender o meio ambiente do trabalho como um direito fundamental e uma nova frente de atuação do movimento sindical.

Com o tema voltado ao meio ambiente do trabalho em tempos de crise ambiental, o seminário buscou provocar reflexões sobre a relação entre modelo de desenvolvimento, exploração dos recursos naturais, mudanças climáticas e a construção de alternativas que garantam trabalho digno e desenvolvimento sustentável.

As discussões foram conduzidas pela Dra. Norma Sueli Padilha, professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que iniciou sua participação resgatando os grandes desafios enfrentados pela humanidade e questionando qual deve ser o papel dos dirigentes sindicais diante da crise ambiental.

Segundo a professora, a sociedade atual vive uma profunda encruzilhada ambiental, resultado de um modelo de exploração que trata a natureza apenas como fonte de recursos. Para ela, a lógica de produção acelerada, baseada no consumo e na transformação constante de bens em mercadorias, tem provocado impactos diretos no equilíbrio do planeta e, consequentemente, no mundo do trabalho.

“A sociedade de hoje é de consumo e de risco, baseada na natureza como uma grande fornecedora de recursos, retirados cada vez com mais agressividade para aumentar o ritmo da produção. Isso impacta diretamente no mundo do trabalho. Toda essa violência vem sendo feita pelo capitalismo como sinônimo de eficiência: produz-se cada vez mais rápido para transformar em mercadorias, o que acaba destruindo o equilíbrio do planeta e a própria biodiversidade”, explicou.

Ao relacionar a questão ambiental com a atuação sindical, Dra. Norma destacou que a defesa da classe trabalhadora também passa pela defesa de um ambiente saudável e sustentável.

“A luta da resistência está sempre presente na vida de quem olha para o seu povo”, afirmou, reforçando que os sindicatos possuem papel fundamental na construção de uma sociedade mais justa e equilibrada.

Durante sua apresentação, a professora também abordou os alertas científicos sobre as mudanças climáticas e destacou que os impactos ambientais são consequência direta das ações humanas. Conforme lembrou, relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) apontam que a emissão de gases de efeito estufa tem origem principalmente nas atividades humanas, sendo urgente a adoção de medidas para enfrentar os efeitos da crise climática.

Entre as consequências desse processo estão o aumento dos eventos climáticos extremos, avanço do nível do mar, desastres ambientais mais frequentes e impactos cada vez maiores sobre as condições de vida da população.

Para Padilha, compreender o meio ambiente como um direito fundamental significa reconhecer que não existe saúde, qualidade de vida e dignidade para a classe trabalhadora sem condições adequadas no ambiente de trabalho.

“Se as alterações climáticas são uma consequência da atividade humana, então a maior parte dessa atividade corresponde ao trabalho ou está relacionada com o trabalho”, destacou.

A professora também ressaltou que o conceito de desenvolvimento precisa ir além do crescimento econômico, respeitando os limites do planeta e garantindo equilíbrio entre as dimensões social, econômica e ambiental.

Nesse sentido, defendeu que a pauta ambiental deve fazer parte da agenda permanente dos sindicatos, especialmente diante dos desafios impostos pelas transformações no mundo do trabalho.

Transição justa e trabalho digno

Outro ponto central debatido no seminário foi a necessidade de uma transição justa, conceito que envolve a construção de novas formas de produção capazes de preservar o meio ambiente sem abandonar os trabalhadores e trabalhadoras que dependem do emprego para garantir sua sobrevivência.

A transição justa pressupõe a criação de empregos dignos e de qualidade, além do compromisso de governos, trabalhadores e empregadores na construção de um modelo de desenvolvimento sustentável, considerando suas dimensões sociais, econômicas e ambientais.

Para a FETIESC, ampliar o debate sobre sustentabilidade e economia solidária é fortalecer a luta sindical diante dos novos desafios do século XXI, reafirmando que a defesa dos direitos trabalhistas também está diretamente ligada à defesa da vida, do planeta e de um futuro com mais justiça social.

Imprensa Fetiesc

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