O encontro reuniu representantes da categoria de diferentes regiões de Santa Catarina e debateu temas como negociações coletivas, violência contra as mulheres, legislação trabalhista e os desafios do movimento sindical
Chapecó foi palco, na última sexta-feira, 25 de setembro, de mais uma reunião do Departamento Têxtil da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias do Estado de Santa Catarina (FETIESC). O encontro aconteceu na sede do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Fiação, Tecelagem e Vestuário de Chapecó e demais cidades do Oeste de Santa Catarina (Sintrivech) e reuniu dirigentes sindicais do setor têxtil de diferentes regiões do Estado.
A reunião teve como objetivo fortalecer a organização da categoria, promover a troca de experiências entre os sindicatos e discutir temas que impactam diretamente a vida profissional e social dos trabalhadores.
Entre os principais assuntos estiveram as negociações coletivas conduzidas pelos sindicatos, a atuação sindical na defesa dos direitos das mulheres, a aproximação com os órgãos públicos de fiscalização e proteção dos trabalhadores, além de questões relacionadas à legislação trabalhista e às transformações que afetam o mundo do trabalho.
Negociação coletiva é prioridade para os sindicatos
Um dos principais pontos da reunião foi o balanço das Convenções Coletivas de Trabalho, dos Acordos Coletivos e das negociações coletivas que vêm sendo realizadas pelos sindicatos integrantes do Departamento Têxtil.
Os dirigentes compartilharam experiências sobre as negociações em suas respectivas bases, avaliando os avanços obtidos e os desafios encontrados nas mesas de negociação.
A negociação coletiva é um dos principais instrumentos de atuação do movimento sindical, permitindo que trabalhadores, por meio de suas entidades representativas, discutam salários, jornadas, benefícios e condições de trabalho.
Secretaria da Mulher debate enfrentamento à violência
Outro tema de destaque foi a atuação da Secretaria da Mulher da FETIESC, com foco no enfrentamento à violência contra as mulheres.
Durante a reunião, foi destacada a necessidade de aproximar os sindicatos das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs) e de fortalecer as redes de informação, acolhimento e encaminhamento das trabalhadoras que enfrentam situações de violência.
Também foi discutida a importância de ampliar as campanhas de conscientização dentro e fora dos locais de trabalho, para que mulheres e homens consigam identificar as diferentes formas de violência.
A violência contra a mulher não se limita à agressão física. Ela também pode ocorrer de forma psicológica, sexual, patrimonial, entre outras. Por isso, a atuação sindical pode contribuir para levar informação às trabalhadoras e criar canais de orientação e apoio.
A proposta debatida é ampliar esse diálogo nas bases sindicais e estimular parcerias que permitam aos sindicatos atuar de maneira mais integrada com os serviços públicos de proteção às mulheres.
Diálogo com o Ministério do Trabalho
A programação contou ainda com a participação do Superintendente Regional do Ministério do Trabalho, Valmor de Paula, que dialogou com os dirigentes sobre diferentes questões relacionadas ao mundo do trabalho.
Entre os assuntos abordados estiveram os jogos on-line e seus possíveis impactos sobre os trabalhadores, além do funcionamento e do fluxo de atendimento da Superintendência Regional do Trabalho.
Os dirigentes também trataram de questões relacionadas à legislação de férias e aos atestados médicos, buscando esclarecer dúvidas e compreender os procedimentos aplicáveis às relações de trabalho.
Durante o encontro, Valmor de Paula também fez o convite aos dirigentes para participação no 3º Diálogos do Trabalho, previsto para acontecer no dia 4 de novembro, em Florianópolis.
Stephania Furlani representou a FETIESC na posse do Sintrivech
Durante sua passagem por Chapecó, a vice-presidente da FETIESC, Stephania Furlani, representou a Federação na solenidade de posse da nova diretoria do Sintrivech, realizada na noite de sexta-feira.
Em nome da FETIESC, Stephania desejou um excelente mandato à nova diretoria e destacou a experiência do presidente Sebastião Nélio da Costa, que estará à frente da entidade pelos próximos cinco anos.
Ao cumprimentar a nova direção, a vice-presidente da Federação ressaltou a importância da unidade e da responsabilidade que acompanham o exercício da representação sindical.
Segundo ela, o Direito Sindical é um dos principais instrumentos de defesa dos trabalhadores, embora ainda seja pouco valorizado e, em diferentes momentos, esteja sujeito a ameaças e questionamentos.
Nesse contexto, destacou que os dirigentes sindicais têm a responsabilidade de atuar como guardiões da representação coletiva, lembrando que a missão de um sindicato vai muito além da representação individual dos colegas conhecidos.
Conforme ela, o dirigente sindical representa toda a categoria, incluindo trabalhadores que muitas vezes sequer conhece pessoalmente, na busca por melhores condições de trabalho, melhores salários, respeito aos direitos e qualidade de vida.
A proximidade das eleições gerais também foi mencionada durante a solenidade. O debate apresentado aos trabalhadores foi no sentido da importância de buscar informações, conhecer as propostas apresentadas pelos candidatos e estabelecer critérios próprios de análise antes de tomar decisões eleitorais.
A discussão foi relacionada diretamente à condição de classe dos trabalhadores e à necessidade de observar como diferentes projetos políticos podem tratar de temas ligados ao trabalho e aos direitos sociais.
Como exemplo, foi mencionada a situação da Argentina e as mudanças promovidas pelo governo de Javier Milei. Em 2026, o país aprovou a Lei de Modernização Trabalhista, que alterou diversos dispositivos da legislação trabalhista argentina. O governo argentino apresenta a reforma como uma forma de estimular a formalização e a criação de empregos; a legislação, por sua vez, modificou regras sobre férias, jornada, indenizações e outras relações de trabalho.
Outro tema citado foi a escala 6×1. No Brasil, a discussão sobre a redução da jornada ganhou espaço no Congresso Nacional em 2026. A Câmara dos Deputados aprovou, em dois turnos, uma PEC que estabelece jornada de até 40 horas semanais, com cinco dias de trabalho e dois de descanso, e a matéria seguiu para análise do Senado.













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