A palestra do Professor Tatuado marcou a abertura do terceiro e último dia do 18º Fórum Sindical Sul, em Itapema
O terceiro e último dia da 18ª edição do Fórum Sindical Sul (FSS-2026) iniciou na manhã desta sexta-feira, dia 29 de maio, em Itapema (SC), com uma reflexão sobre os desafios da comunicação sindical na era digital. O professor e comunicador social Thiago Moreti conduziu a palestra “Da sala de aula às redes: métodos criativos para formar consciência e fortalecer o sindicato”, diante de centenas de dirigentes sindicais e trabalhadores presentes no evento.
Durante sua fala, Moreti fez um resgate histórico da comunicação sindical brasileira, desde os boletins impressos distribuídos nas portas das fábricas no início do século XX, passando pelo rádio, pelo mimeógrafo — que classificou como um importante instrumento de resistência sindical — até chegar às décadas de 1980 e 1990, marcadas pela popularização da televisão, dos carros de som e das grandes assembleias que ajudaram a projetar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como uma liderança nacional.
Ao abordar o cenário atual, o palestrante destacou que a comunicação mudou radicalmente com a ascensão das plataformas digitais e das redes sociais, transformando a maneira como os trabalhadores consomem informação.
“Hoje o trabalhador está consumindo informação pela tela do celular. E o que determina esse consumo são os algoritmos, que selecionam conteúdos conforme as preferências de cada pessoa. Isso cria nichos e bolhas de comunicação”, explicou.
Segundo Moreti, a lógica das plataformas digitais intensificou a disputa de narrativas políticas e sociais, ampliando a polarização e dificultando o diálogo entre diferentes grupos da sociedade.
“Tem gente no Brasil ainda falando do triplex do Lula e que não sabe do escândalo do ‘BolsoMaster’. As pessoas não conversam mais porque vivem em realidades informativas completamente diferentes”, afirmou.
O professor também alertou sobre o poder das Big Techs e o impacto político das redes sociais nos últimos anos. Para ele, as plataformas digitais tiveram papel determinante nos processos políticos recentes do país.
“As redes sociais basicamente elegeram Bolsonaro em 2018. E, talvez, se não fosse a pandemia, Lula não teria sido eleito depois. Esses grupos dominam as redes sociais e investem pesado nisso. O interesse deles é que o trabalhador não esteja organizado”, destacou.
Moreti relacionou esse cenário ao avanço de medidas que retiraram direitos da classe trabalhadora, como as reformas trabalhista e previdenciária.
“Enquanto a população está imersa nas redes sociais, estão aprovando reformas e retirando direitos históricos dos trabalhadores”, alertou.
Durante a palestra, o comunicador apresentou dados sobre o comportamento digital da população brasileira. Segundo ele, o Brasil é atualmente o segundo país do mundo com maior tempo de tela. Em média, os brasileiros passam 9 horas e 13 minutos por dia conectados à internet, o equivalente a 55,6% do tempo em que permanecem acordados.
O WhatsApp aparece como a rede social mais utilizada no país, seguido pelo Instagram, que possui cerca de 147 milhões de usuários brasileiros. Para Moreti, esse ambiente também se torna terreno fértil para fraudes, manipulação de informações e disseminação de conteúdos falsos.
Ao analisar o cenário político contemporâneo, ele afirmou que muitos debates eleitorais acabam desviando a atenção das questões centrais da classe trabalhadora.
“As pautas das eleições hoje muitas vezes deixam de ser econômicas ou sociais e passam a girar em torno de temas que desviam o foco dos problemas reais da população”, pontuou.
Para enfrentar esse contexto, Thiago Moreti defendeu que o dirigente sindical precisa assumir cada vez mais o papel de formador de consciência política junto à classe trabalhadora.
“A atenção virou poder. Quem consegue disputar atenção consegue disputar consciência. O dirigente sindical precisa ser um formador de consciência política do trabalhador”, afirmou.
Apesar do cenário desafiador, o palestrante demonstrou esperança de que o debate político brasileiro volte a priorizar temas ligados à vida concreta da população.
“Acredito que essa polarização ainda pode ficar de lado, mas isso depende de muita luta. Precisamos voltar a falar sobre o que realmente importa para a vida do trabalhador”, disse.
Na parte final da palestra, Moreti também abordou os avanços da Inteligência Artificial e os impactos da tecnologia sobre a sociedade. Ao mesmo tempo em que reconheceu as possibilidades oferecidas pelas novas ferramentas, alertou para os riscos da manipulação e da dificuldade crescente em distinguir realidade de conteúdos artificiais.
“As maravilhas e os perigos da Inteligência Artificial caminham juntos. Estamos chegando em um ponto em que já não sabemos mais o que é real. Precisamos de leis que limitem essas tecnologias e que as coloquem a serviço da sociedade”, concluiu.






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