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Presidente da FETIESC defende no Senado o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais

“Uma nação não se constrói explorando o cansaço de muitos para garantir o conforto de poucos. Ela se constrói valorizando quem produz a riqueza deste país e assegurando dignidade, equilíbrio e justiça social para todos os trabalhadores”, declarou.

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O presidente da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias do Estado de Santa Catarina (FETIESC), Idemar Antonio Martini, participou na manhã desta quarta-feira (1º/07), em Brasília, de audiência pública promovida pelo Senado Federal para debater a proposta de redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, com dois dias de descanso, e o consequente fim da escala 6×1.

Realizada na presença de ministros de Estado, parlamentares, representantes do setor patronal e lideranças sindicais de todo o país, a audiência reuniu diferentes setores da sociedade para discutir uma das principais pautas da classe trabalhadora brasileira.

Representando a FETIESC, Martini ocupou a tribuna para defender a proposta e afirmar que o debate representa um momento histórico na luta pelos direitos dos trabalhadores. Em sua manifestação, criticou os argumentos utilizados por setores contrários à redução da jornada, lembrando que previsões semelhantes já foram feitas no passado sempre que importantes conquistas trabalhistas estavam em discussão.

“O fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho são reivindicações absolutamente justas. Ao longo da história, sempre que os trabalhadores conquistaram novos direitos, ouvimos previsões de que as empresas quebrariam e que a economia entraria em colapso. Foi assim com a jornada de oito horas, com a Consolidação das Leis do Trabalho, com o 13º salário, com as férias remuneradas e com o descanso semanal. A história mostrou que esses argumentos nunca se confirmaram”, destacou.

Durante seu pronunciamento, o presidente da FETIESC fez um resgate histórico das lutas sociais no Brasil, lembrando que até mesmo a abolição da escravidão enfrentou resistência de setores econômicos que alegavam prejuízos ao sistema produtivo.

Martini também criticou os efeitos da Reforma Trabalhista de 2017, afirmando que a promessa de geração de empregos e fortalecimento da economia não se concretizou. Segundo ele, o resultado foi o aumento da precarização das relações de trabalho, da insegurança para os trabalhadores e da desigualdade entre capital e trabalho.

Ao defender a redução da jornada sem diminuição salarial, o dirigente sindical ressaltou que a discussão vai além da organização do trabalho e trata, sobretudo, da qualidade de vida das pessoas.

“Estamos defendendo o direito de o trabalhador ter tempo para viver, conviver com sua família, cuidar da saúde, estudar e realizar seus projetos de vida. O trabalho deve servir à vida, e não consumi-la. É plenamente possível avançar para uma jornada mais humana sem comprometer o desenvolvimento econômico”, afirmou.

Em um dos momentos mais marcantes do discurso, Martini fez referência ao patrono do Senado, Ruy Barbosa, ao defender que a sociedade não pode permanecer indiferente diante das injustiças.

“Uma nação não se constrói explorando o cansaço de muitos para garantir o conforto de poucos. Ela se constrói valorizando quem produz a riqueza deste país e assegurando dignidade, equilíbrio e justiça social para todos os trabalhadores”, declarou.

Na conclusão de sua fala, o presidente reconheceu os desafios para a aprovação da proposta no Congresso Nacional, mas afirmou que a mobilização dos trabalhadores continuará.

“Os tempos são duros, mas há algo que ninguém conseguirá apagar: a certeza de que estamos do lado certo da história. Assim como ocorreu em tantas outras conquistas trabalhistas, o tempo demonstrará que a redução da jornada e o fim da escala 6×1 não provocarão os impactos negativos anunciados pelos setores contrários, mas representarão mais um importante avanço civilizatório para o Brasil.”

Comitiva catarinense

A FETIESC participou da audiência pública ao lado da Nova Central Sindical de Trabalhadores de Santa Catarina (NCST-SC), levando uma comitiva de aproximadamente 40 dirigentes sindicais e trabalhadores à capital federal para acompanhar o debate e reforçar o apoio à proposta.

Imprensa Fetiesc

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