Sandro Lunard Nicoladeli, foi o responsável por encerrar a jornada de estudos sobre comunicação e negociação sindical promovida pela FETIESC
O representante do Brasil, da América Latina e do Caribe na Organização Internacional do Trabalho (OIT), o advogado Sandro Lunard Nicoladeli, foi o responsável por encerrar a jornada de estudos sobre comunicação e negociação sindical promovida pela Federação dos Trabalhadores nas Indústrias de Santa Catarina (FETIESC), realizada nos dias 25 e 26 de fevereiro.
Diante de dezenas de lideranças sindicais, Nicoladeli apresentou uma análise abrangente sobre o papel da OIT na promoção da justiça social e na defesa dos direitos trabalhistas em escala global. Em sua exposição, destacou a centralidade da negociação coletiva como instrumento fundamental do diálogo social, especialmente frente aos desafios impostos pela globalização neoliberal e pelas políticas de austeridade econômica.
O advogado também abordou as tensões permanentes entre a lógica da eficiência de mercado e a dignidade humana no mundo do trabalho, além de fenômenos que impactam diretamente a organização coletiva, como a precarização das novas modalidades laborais e a chamada sindicatofobia.
“A sindicatofobia é a hostilidade difusa e persistente contra os sindicatos e seus líderes, uma aversão estrutural, histórica e cultural que mina a democracia no mundo do trabalho. Ela transforma o sindicalismo em um ‘inimigo hereditário’, revelando uma representação social negativa”, explicou.
Ao tratar do cenário jurídico brasileiro, Nicoladeli citou decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) que reconhecem e validam a autonomia das convenções coletivas, desde que preservados os direitos fundamentais dos trabalhadores. Segundo ele, esse entendimento reforça o papel estratégico da negociação coletiva na construção de relações laborais mais equilibradas.
“A negociação coletiva constitui instrumento essencial para a paz social e a justiça nas relações de trabalho, permitindo que as partes estabeleçam regras adequadas à sua realidade específica. Esse mecanismo promove o diálogo social, reduz conflitos trabalhistas e contribui para o desenvolvimento econômico sustentável”, avaliou.
Encerrando sua participação, o representante da OIT propôs uma agenda futura para o movimento sindical, com foco na promoção da equidade de gênero e na necessidade de adaptação das estruturas sindicais às transformações digitais contemporâneas, apontando esses temas como centrais para o fortalecimento da representação dos trabalhadores nos próximos anos.






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