Evento promovido pela FETIESC debateu os desafios da classe trabalhadora diante das transformações tecnológicas, a concentração de riqueza, a defesa da democracia e a importância das eleições de outubro
A Jornada Estadual de Organização Sindical e Democracia, promovida pela Federação dos Trabalhadores nas Indústrias do Estado de Santa Catarina (FETIESC), reuniu nesta quarta-feira, 12 de agosto, em Itapema, dirigentes sindicais, lideranças dos movimentos sociais e representantes do campo democrático para um amplo debate sobre os desafios da organização da classe trabalhadora e os rumos do país e de Santa Catarina.
Entre os participantes estiveram candidatos da Frente Democrática que disputarão as eleições de outubro no Estado, entre eles os candidatos ao Senado Décio Lima (PT) e Afrânio Boppré (PSOL). As intervenções destacaram a necessidade de fortalecer a democracia, ampliar a participação política da classe trabalhadora e compreender as profundas transformações provocadas pelas novas tecnologias no mundo do trabalho.
Ao falar aos participantes, Décio Lima destacou o papel histórico da FETIESC como espaço de organização e resistência da classe trabalhadora.
“A FETIESC é a casa da resistência, da luta. Nossa felicidade aumenta, a esperança se tonifica. É com certeza um dos raros paradigmas da resistência”, afirmou.
Décio chamou a atenção para as mudanças provocadas pela transformação tecnológica e pela reorganização do processo produtivo. Segundo ele, já não é possível compreender o mundo do trabalho a partir dos mesmos parâmetros que marcaram o modelo industrial do passado.
O candidato também relacionou as transformações tecnológicas à concentração de riqueza em uma economia cada vez mais globalizada. Para ele, o movimento sindical precisa compreender esse novo cenário sem abandonar sua capacidade de organização e resistência.
“Estamos vivendo uma revolução do processo produtivo. Não temos mais como imaginar que permanece o modelo fordiano nas indústrias”, afirmou.
Na avaliação de Décio, apesar das dificuldades enfrentadas pelo sindicalismo nas últimas décadas, especialmente após 2016, a classe trabalhadora demonstrou capacidade de resistência.
“Vergamos, mas não quebramos. Somos resilientes”, declarou, ao destacar a sobrevivência e a reorganização do movimento sindical diante dos ataques sofridos no período.
Durante sua participação, Décio Lima também destacou medidas que, segundo ele, representam avanços para os trabalhadores durante o atual governo federal do presidente Lula, citando a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil, a geração de empregos e a retirada do Brasil do mapa da fome.
Para o candidato, a disputa política ultrapassa questões eleitorais e envolve projetos distintos de sociedade: “É uma luta de valores, de defesa da democracia, da causa a que a classe trabalhadora pertence”, afirmou.
Afrânio Boppré aborda tecnologia, produção e concentração de riqueza
Na sequência, Afrânio Boppré trouxe ao debate uma reflexão sobre as contradições do sistema capitalista diante do avanço tecnológico.
Segundo ele, o próprio capital precisa promover permanentemente transformações nos processos de produção para ampliar sua capacidade de acumulação. Como exemplo, citou a indústria que lança constantemente novos produtos, tornando rapidamente ultrapassadas mercadorias que até pouco tempo eram apresentadas como as melhores disponíveis no mercado.
Para Boppré, esse processo também se manifesta na crescente especialização da mão de obra e na utilização de tecnologias capazes de substituir determinadas ocupações: “Hoje temos tecnologia para produzir tudo. Tudo é produzido pela classe trabalhadora”, afirmou.
O candidato apontou como uma das principais contradições da sociedade contemporânea o fato de a produção ter se tornado cada vez mais social, enquanto a apropriação da riqueza permanece concentrada de forma privada.
“Antigamente toda a produção era individual, hoje ela é social. Mas a distribuição dela é uma apropriação privada. Não é distribuída para todo mundo. Tem gente que não tem o que comer”, destacou.
Na avaliação de Boppré, o desafio colocado diante da sociedade é fazer com que os avanços tecnológicos e produtivos sejam acompanhados por uma distribuição social da riqueza. Nesse contexto, defendeu a utilização do Estado como instrumento para a implementação de políticas públicas capazes de enfrentar as desigualdades.
Eleições como disputa por um projeto de sociedade
A importância das eleições de outubro também esteve entre os principais pontos abordados por Afrânio Boppré. Para ele, a disputa eleitoral precisa ser compreendida para além da escolha de candidatos, envolvendo diferentes projetos para o futuro da sociedade brasileira.
“Nosso projeto não é de eleição, mas sim um projeto de sociedade”, afirmou.
Boppré também destacou o cenário latino-americano e a necessidade de consolidar a democracia na região. Segundo ele, o processo político brasileiro terá importância que ultrapassa as fronteiras nacionais.
Ao abordar a disputa eleitoral, o candidato afirmou que a oposição ao governo Lula buscará diferentes estratégias para impedir a continuidade do projeto político atualmente no poder, inclusive por meio da eleição de parlamentares que possam atuar no Congresso Nacional.
“Se não conseguirem vencer o Lula, eles têm o plano B: eleger o maior número possível de senadores e deputados federais para interditar o governo Lula”, declarou.
“Somos candidatos de uma causa”
Afrânio Boppré também ressaltou que sua candidatura e a de Décio Lima ao Senado, dentro do campo da Frente Democrática, não devem ser compreendidas como projetos individuais.
“Eu e o Décio não somos candidatos por nós mesmos. Somos candidatos de uma causa. Somos uma causa. Somos um desejo de estabilização da democracia, de apoiar a luta e os avanços dos movimentos sociais”, afirmou.
Para ele, uma das principais tarefas do movimento sindical durante o processo eleitoral será ampliar o diálogo com os trabalhadores nas bases, apresentando os diferentes projetos em disputa.
“Nossa função é despertar e mostrar a realidade. Não vamos enganar ninguém”, afirmou.
Boppré defendeu ainda que dirigentes e militantes estejam presentes nos locais de trabalho e nas comunidades, dialogando diretamente com a população sobre os impactos das decisões políticas na vida dos trabalhadores.






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